26 outubro 2007

Ciclo

Não o conheci muito bem, mas sei que foi um homem forte. Personalidade de sobra, muita fibra. Um jeito duro, mas preocupado; carinhoso à sua maneira.

Não me contaram muito sobre sua vida, mas sei que mudou de cidades muitas vezes. Buscava o melhor para seus filhos e suas finanças.

Sei que era um negociante de sangue. Não dá para ter certeza, mas acho que teve mais dores de cabeça do que prazeres por causa do dinheiro.

Não convivi muito com ele, mas ele era determinado, nunca se abalava. Só uma ou duas vezes. Ou três.

Sei que ele era uma pessoa ausente, distante, especialmente nos últimos tempos. Viveu os últimos capítulos de sua vida do jeito que queria: sozinho.

No finalzinho, viveu do jeito que os que mais gostavam dele queriam. Não sei se os dois jeitos se conciliavam, mas sei que não importa mais.

Entre filhos, netos e bisnetos, deixou pelo menos três dezenas de herdeiros do auto-denominado sangue fenício. Alguns muito parecidos com ele. Outros, nada a ver.

Eu, eu não sei. Só sei que a vida está passando.

Deixei que tudo desaparecesse
Perto do fim, não pude mais encontrar
O amor ainda estava lá

3 Comentários:

Anonymous Iberê disse...

Gostei da idéia de "conciliação de jeitos".

Até que ponto isso é possível?

5:43 PM  
Blogger Luiz Felipe disse...

o que seria "auto-denominado sangue fenício"?

6:55 PM  
Blogger Lilian disse...

Faz um tempo eu quis fazer uma canção pra você viver mais...

Estarei sempre aqui pro que vc precisar!

10:53 PM  

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