10 dezembro 2007

Sustentabilidade tupiniquim

Trabalho com comunicação corporativa. Isso quer dizer que eu estou 100% acostumado com os termos do Bingo Corporate, aquele e-mail divertidíssimo que sugere a marcação de palavras como case, demanda, sinergia, time, follow-up e cascade em reuniões de corporações. Pois a palavra da moda, que estampa até a capa da descolada Trip, é sustentabilidade.

Já escrevi pelo menos uns 5 textos pesados sobre o tema, entrevistei gente entendida do assunto, entendi direitinho do que se trata. Enfim, compreendo bem porque hoje as grandes companhias dos diversos mercados alardeiam que plantam árvores. Mas, hoje, fiquei pasmo com a sagacidade do mercado informal.

Já notei muitas vezes, e escrevi aqui até, como os camelôs e vendedores de farol são ágeis, astutos e muito perspicazes. Mas, hoje, eles se superaram.

Tava no farol da Alvarenga com a Raposo Tavares, que demora. Passou maninho limpando pára-brisa, vendendo biju, vendendo rosas e o tradicional vendendo pacote de balinha por R$ 1,00 com uma mensagem, que costuma ser “Gosto de trabalhar honestamente” ou “Vendo balas, esse é meu trabalho, obrigado”. Mas, hoje, era diferente. Era sustentabilidade.

“Cada homem consome duas árvores em papel por ano. Se ele reciclasse todos os seus papéis, pouparia uma árvore e meia por ano.”

Não era um caso de sweet spot – ganho econômico + justiça social + responsabilidade ambiental. Mas, sério, o cara é mto ligado. Viu que tem posto fazendo cartão de crédito que planta árvore, detergente dizendo que planta árvore, companhia gritando que é sustentável... não pensou duas vezes e mandou brasa. Incrível. Fiquei pasmo de como as coisas são absorvidas rapidamente por quem trabalha na rua. Já sabia, mas fiquei de novo.

Em tempo: não comprei as balinhas. Tinham duas de melão. Quanta visão de mercado para tamanho mau gosto...


Her green plastic watering can
For her fake Chinese rubber plant
In the fake plastic earth

03 dezembro 2007

Central de Desculpas

Eles têm a Central de Retenção de Clientes, a Central de Relacionamentos, às vezes de Relacionamentos Especiais, Central de Cadastro, Central de Reclamações, Central de tudo. Só não tem a que mais deveriam ter: a Central de Desculpas.

Minha última foi com a Visa, que bloqueou meu cartão sem me avisar pela segunda vez no ano. Liguei, reclamei, precisei de dois dias e um total de umas três horas pendurado no telefone exercendo minhas habilidades de reclamão. Consegui resolver o problema, mas tava de saco cheio. Então perguntei:

“Agora quero falar com a Central de Pedido de Desculpas. Você me passa lá, por favor?”

Claro que a moça não entendeu nada. Acabou fazendo um cadastro e disse que a central de relacionamentos entraria em contato. Bem, apesar de não ter recebido o tal contato, gostei da idéia. Acho que toda empresa deveria ter uma Central só para se desculpar com os clientes.

Afinal, o que eles mais fazem é cagada. E quando a gente faz cagada, a boa educação manda pedir desculpas.


Im not doing this because of you
And Im not here because you want me to
I know youre feeling you can see me through
Well its all lost the moment I stop to think